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Ética como alicerce das escolhas em 2018

Quando falamos em política de imediato o nome ética, ou a falta dela se associa ao assunto. Mas do que exatamente estamos falando? O sujeit...

Quando falamos em política de imediato o nome ética, ou a falta dela se associa ao assunto. Mas do que exatamente estamos falando? O sujeito ético é aquele que concorda comigo? Ético é aquele que segue as regras do jogo, as leis? E a moral, qual o papel dela neste cenário? Neste ano eleitoral, gostaria de sugerir começar a pensar suas escolhas com esta reflexão.
De imediato já gostaria de dizer que o sujeito ético nem sempre segue as regras! Isso significa dizer que aqueles atores políticos que clamam um moralismo, ao fazê-lo, podem não estar sendo éticos. Confuso? Vamos tentar explicar essas afirmações.
A moral diz respeito ao estabelecido ao socialmente aceito. Por exemplo, para a moral cristã não se pode aceitar, enquanto casal, dois homens que se amam. Do ponto de vista financeiro o moralmente estabelecido é que se paguem as dívidas. Quanto à lei, ela é sempre moral. E o moralmente aceito é que ela seja cumprida.
É importante dizer que o que se estabelece como um comportamento moral é historicamente datado. Por exemplo, a participação da mulher na economia, nas artes e na política era vista em tempo pretérito como imoral. Hoje é largamente aceita e desejada. Entretanto, alguns sujeitos moralistas estacionam na história e defendem uma moral retrógrada. A este chamamos reacionário. Um sujeito que se diz defensor da moral e dos bons costumes, está, na verdade, afirmando ser defensor das coisas como estão. Este tipo de discurso moralista está mais vinculado a sustentação do poder nas mãos daqueles que historicamente o detiveram, ou seja, o homem cristão, branco e de posses. Estes, de fato, não são sujeitos com um compromisso ético com a humanidade, mas sim, com suas posses – mesmo que esta posse esteja disfarçada de empregado, para ficar mais palatável ao bom cristão.
Mas, e a ética?
Entendamos a ética aqui como uma dimensão filosófica da moral. É um comportamento estabelecido como correto, moral, para o motorista, por exemplo, dar a vez de passagem ao pedestre sobre a faixa, caso não haja nenhuma outra sinalização. Se um pedestre com dificuldade de locomoção, como um idoso, distante da faixa, resolve atravessar a rua, não seria correto dar a ele preferência de passagem a ele. Mas seria ético! Isso porque o sujeito ético é capaz de compreender a dificuldade do outro. Ele é capaz de entender a “errada” decisão de não chegar até a faixa. Também o ator público deve compreender a atual conjuntura de precarização do trabalho e ser capaz de flexibilizar suas ações em favor do trabalhador. Quer dizer, quando um determinado comportamento estabelecido como moral, esbarra em seu limite histórico, o sujeito ético deve ser capaz de refletir uma nova moral. O jurista deve ser capaz de flexibilizar e adaptar sua interpretação da Lei. O católico deve rever suas normas. Os deputados e vereadores rever as Leis que orientam o comportamento social. E, sob este último ator, carecemos dar particular.
Com a atual conjuntura de precarização do trabalho – com intensificação do trabalho, terceirização, informalidade – ético é o sujeito que assume o gênero humano como prioridade sobre o lucro. E, neste caso, pensar uma saída para a crise não é apenas pensar estratégias que penalizem o trabalhador. É colocar em debate a dívida pública, num país de miseráveis, a existência de enormes latifúndios num país de milhões de trabalhadores sem-terra, é debater a dívida com a previdência das grandes empresas ao invés de debater o fantasioso déficit.
Por fim, neste ano eleitoral, o trabalhador deve refletir em coletivos como este Fórum e se comprometer com os atores políticos que se filiem à classe trabalhadora de forma ética para debater o que realmente nos interessa como saída da crise. Justiça!
Refletir 2910121976371288713

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