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Planejamento como processo técnico e político

Anteriormente tratei da temática do planejamento, especificamente no que diz respeito ao trado dos recursos humanos. Não destoante do tem...

Anteriormente tratei da temática do planejamento, especificamente no que diz respeito ao trado dos recursos humanos. Não destoante do tema tratado anteriormente discutiremos brevemente sobre a dimensão política presente na prática do planejamento.
Tradicionalmente quando referimo-nos à prática de planejamento, seja de uma empresa, de um projeto ou mesmo de uma política pública, temos em mente imediatamente procedimentos técnicos e operacionais que envolvem o uso mais qualificado possível dos recursos disponíveis, das forças produtivas. Contudo, existem tensões e pressões postas nas relações dos diferentes sujeitos envolvidos no planejamento e na execução que por vezes colocam a equipe de planejamento em posição de realizar escolhas. Essa tomada de decisão ultrapassa a dimensão técnico-operativa, dotando a pratica de uma dimensão ético-política.
O que caracteriza a dimensão política do planejamento decorre do fato de que ele é um processo ininterrupto de tomadas de decisões, inscritas nas relações sociais. Neste sentido é importante a captura do conteúdo tradicional de leitura da realidade para o planejamento de uma ação, mas, é fundamentalmente importante a captura das condições subjetivas do ambiente em que ocorre o planejamento. O planejamento está envolvido pela ideologia dos planejadores. Neste caso, os atores que realizam o planejamento imputem às decisões seu compromisso ético-político, seja este com os trabalhadores ou com a empresa.
Fica evidente a necessidade de democratizar de fato o planejamento para que as ações definidas atendam às demandas também daqueles que executam as estratégias, os trabalhadores.
A complexidade que envolve a confecção de uma boa análise conjuntural dificulta a apreensão do vínculo entre os elementos técnico-operativo e ético-político, dificulta capturar a direção política, ou até mesmo a intencionalidade de determinada ação proposta. Nesta medida é de fundamental importância a efetiva participação política do conjunto dos trabalhadores, a demérito da reprodução pura e simples dos processos sociais que dão o tom da condução política da empresa, por vezes, em um universo de precarização do trabalho.
A partir das afirmativas que lancei aqui, podemos concluir três coisas: 1) o planejamento mais qualificado para a boa condução de uma determinada estratégia é realizado de forma participativa; 2) é preciso equilíbrio entre o técnico-operativo e o ético-político; 3) o posicionamento político do “apolítico” mascara muitas vezes a supervalorização da técnica, reificando condições de trabalho precário de desvalorização dos trabalhadores.

Roberto Coelho do Carmo
www.robertocoelho.comrobertocoelhoas@gmail.com
Professor Assistente do Departamento de Ciências Sociais Jornalismo e Serviço Social - DECSO
Instituto de Ciências Sociais Aplicadas - ICSA
Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP
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