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SOBRE AS BELEZAS E DELICADEZAS DO COTIDIANO

Ontem, conversando ao telefone, me dei conta de que as discussões sobre o universo dos valores que regem as relações sociais cotidianas é u...

Ontem, conversando ao telefone, me dei conta de que as discussões sobre o universo dos valores que regem as relações sociais cotidianas é um tema que há muito tempo me apetece. Ao me indagar sobre os motivos deste interesse, conclui sua relação com o desejo sempre constante em minha vida por um mundo novo e melhor para mim e para todas as pessoas.  É óbvio que, além das influências de cunho religioso, mais especificamente as católicas, fui motivada enormemente pelas experiências junto a militâncias políticas das quais participei, orientada pela ideia de que para a existência deste mundo melhor teria que trabalhar minha parcela de contribuição.
No entanto, com o tempo, observei a importância deste trabalho ser subsidiado por alguns valores mais específicos. Compreendi que sem solidariedade, afeto, amor pelos outros e pela causa que se abraçava, respeito, sentimento de universalidade, entre outros, não tínhamos como refinar nossas a ações e pensamentos e desta forma contribuir com a construção de uma história com tais características. Num mundo que vem tornando-se cada vez mais competitivo, menos solidário e mais frio, oferecer abraços, carinho, gentileza, preocupação com o outro é uma forma de andar na contramão do que procura anular na história sua própria substância, quer dizer, a humanidade das pessoas.  Isto é suficiente para transformar o mundo? Não, não é. Mas além de ser ingrediente necessário para tal intento, acredito ser também ingrediente necessário para iniciar processos de mudanças mais profundos, afinal quem os realiza são os seres humanos, que quanto mais humanos, mais condições de desenhar uma história mais humana possuem.
Partindo desta compreensão, passei a constatar o quanto o cotidiano é importante no fazer da história desta forma, do quanto os processos que aí se realizam têm papel preponderante nesta vida que queremos para nosso presente e para nosso futuro. Verifiquei que ele nos oferece muito para a realização da tarefa de fazê-lo melhor, dentro ainda de limites objetivos que precisam ser superados. Mas para identificarmos suas contribuições precisamos vê-lo em suas nuances, contemplá-lo. Para tanto, necessário se faz desacelerar um pouco nossos passos, nossos olhares, nossos pensamentos, tentando, a partir de um diálogo mais sereno com este cotidiano, sermos presenteados pelas belezas que ele tem a nos oferecer através das relações que nele travamos. De posse desta beleza, podemos confeccionar coletivamente tijolos para a obra de uma história digna do adjetivo humana.

Isabel Cristina Chaves Lopes é Profª Adjunto II do quadro permanente da Universidade Federal Fluminense. Doutora em Ética e Direitos Humanos pelo Programa de Estudos Pós-graduados em Serviço Social da PUC/SP (2014). MestrE em Serviço Social e trabalho pela UERJ (2002). Especialista em Serviço Social Contemporâneo pela UFF/ESR/SSC (1996). Graduada em Serviço Social pela UFF/ESR/SSC (1989). Coordenadora do Nediger (Núcleo de Estudos sobre Ética e Diversidade de Gênero, Etnia e Racismo) da UFF/ESR/SSC .

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