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O homem que virou suco

Motivado pelo instigante trabalho de João Batista de Andrade, o filme de título O homem que virou suco, ouso fazer um breve exercício feno...

Motivado pelo instigante trabalho de João Batista de Andrade, o filme de título O homem que virou suco, ouso fazer um breve exercício fenomenológico sobre o que é, no atual mundo do trabalho, “virar” suco.

De princípio façamos a leitura do significado do suco e como ele pode ser produzido/extraído. O suco é o líquido extraído das substâncias orgânicas, vital, o mais aproveitável, saboroso e nurtitivo. Imaginemos agora o processo de extração deste suco, na fruta laranja, por exemplo. O processo é certamente conhecido de todos. Corta-se ou perfura-se a fruta. Esmaga-se a fruta para que não reste caldo algum em nenhum alvéolo. O que sobra é o bagaço, que, quando muito, serve para semear e fertilizar a terra para que tenhamos mais frutos

Agora vamos “transformar” o homem em fruta ou a fruta em homem. Podemos dizer que o período escravista do nosso Brasil foi um tempo de homens que nada mais eram do que sucos de vida consumidos para alimentar a ganância de poucos (muito poucos). Mas nossa proposta é pensar a contemporaneidade. A atual configuração do mundo do trabalho obriga àquele que só possui como bem sua força de trabalho a vê-la, virando suco nas mãos dos mesmos poucos que bebiam do néctar de vida do trabalho escravo. O trabalho informal, o subemprego, a superexploração do trabalho têm reduzido o ser humano a bagaço. As histórias de acidente de trabalho e das chamadas doenças do trabalho aumentam a cada dia, sem contar os casos camuflados pelas empresas que não querem arcar com as despesas do bagaço. O tempo para realizar-se enquanto ser humano fica subsumido ao tempo de trabalho cada vez mais extenso e uma rotina de trabalho que desconsidera os limites físicos e mentais do homem. O bagaço de homem agora só serve para semear e dar a luz a um novo fruto.

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Roberto Coelho do Carmo

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